A empatia e o “esquisito”

 em Autismo, Autoeducação, Criação Consciente, Maternar, Mudando para melhor!

Corriqueiramente, nos deparamos com situações em que a Marina tenta se inserir em grupos de crianças que se encontram nos parquinhos, restaurantes, espaços kids, shopping ou clube e estas a definem como sendo uma menina “esquisita”. Isso nos incomodava muito, até que percebemos que ser “esquisita” pode ser bom, pode dar abertura para falar sobre as diferenças, para entrar num universo que não faz parte da bolha que cada uma dessas crianças está inserida.

Temos usado essas situações, quando estamos juntos dela, para questionar se já ouviram falar de autismo, se têm algum amiguinho que também parece ser “esquisito”. Alguns dizem que conhecem, outros devem pensar que também somos esquisitos (rs) e outros são empáticos.

Cada criança que encontramos nessas andanças tem um jeito diferente – às vezes medroso, às vezes receptivo, às vezes aversivo – e entendemos que é consequência da sua “bolha”, das suas vivências e experiências. Muitos têm uma empatia inigualável, sem nunca terem visto a Marina, chegam de maneira sincera e espontânea para conversar e agregá-la.

Como na maioria das situações cotidianas, nos aproximamos dos semelhantes, nos reduzimos à semelhança, combatemos a diferença, não ousamos discutir ou se aproximar daqueles que são muito distintos de nós. Entretanto, essa capacidade de sensibilizar-se e de se identificar com o outro de forma a compreender as diferenças, as dificuldades e as emoções do momento é fantástica.

As pessoas que se afastam da Marina quando ela tenta chegar com suas particularidades – seja passando a mão no cabelo, seja retorcendo o corpo e olhando de ponta-cabeça como forma de brincadeira ou ainda chegando tão próximo aos olhos do outro que quase encosta nariz com nariz – não vêm carregadas de preconceito, mas parecem carregar um medo do diferente, uma dificuldade de ultrapassar a barreira do seu modo de agir e observar o outro sem julgamento.

Lembro de um show em que estávamos com ela (acho que devia ter uns 6 anos) e um menino que estava ao nosso lado, um pouco mais velho que ela, mostrou-se muito acolhedor, foi pura empatia. Começou a fazer uma coreografia para que ela o imitasse e assim ficaram por várias músicas.

Algumas amiguinhas da escola também a acolhe muito bem e isso faz com que a Marina se sinta segura, acontece abraço de forma espontânea, carinho nos cabelos de ambos os lados, sorrisinhos sinceros e uma explosão de sentimentos bons.

Essa empatia melhora muito a comunicação dela (verbal ou não)  e de qualquer relação entre duas ou mais pessoas. Quisera nós que existissem mais crianças empáticas (e adultos também), mas enquanto nos deparamos com alguns não-empáticos, propomos a conscientização; afinal, empatia é um algo que pode ser aprendido e ocorre por um processo de compreensão da situação vivida pela outra pessoa, normalmente algo “esquisito” ao seu convívio. Que possamos treinar mais olhares de afeto sobre nossos “esquisitos”.

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